O deputado Raad Massouh terminou o ano de 2011 mudando sua vida política. O primeiro passo foi se desfiliar do Democratas, partido onde se sentia desconfortável. A segunda decisão foi assinar a filiação em nova legenda, o Partido Pátria Livre (PPL), onde foi recebido em uma grande festa. Raad fechou o ano licenciado da Câmara Legislativa, onde fazia parte da Mesa Diretora como primeiro-secretário, para assumir, a convite do governador Agnelo Queiroz, a Secretaria de Estado da Micro e Pequena Empresa e Economia Solidária (SMPES). Em seu novo desafio, o Secretário quer facilitar a vida dos empresários da micro e pequena empresa e empreendedores. Seu lema é Minha empresa, minha vida, onde um dos destaques é a Tenda do Empresário. O secretário fala de seus objetivos em entrevista ao Jornal de Verdade.
Secretário, desde o início de seu mandato, o senhor se posicionou como uma pessoa independente. Isso lhe trouxe problemas com o DEM, partido que desejava uma oposição mais radical?
R – Sim. O partido não entendia minha posição e eu não queria fazer oposição só por fazer oposição. Meus eleitores sabem que eu votaria a favor do governo, quando as decisões fossem boas para nossa cidade, nosso povo. A direção regional do DEM começou então a me tirar dos programas eleitorais nas tevês e rádios, começaram a falar mal da minha posição de independência pela imprensa. Achei que era a hora de sair e fechamos um acordo que, felizmente, foi bom para todos. Sai do DEM sem briga. Decidi entrar para o Partido Pátria Livre, que me recebeu muito bem. Fizeram uma festa, com a presença do governador Agnelo, do vice, Tadeu Filippelli, e de integrantes da executiva nacional e local do PPL. Fiquei muito feliz por ser tão bem recebido.
Logo depois que o senhor mudou de partido, o senhor saiu do Legislativo e assumiu uma secretaria no Executivo. Como foi isso?
R - Houve uma parte da equipe do Governo do Distrito Federal que achou que seria importante a minha presença junto ao governo. Quando me ofereceram essa chance, sabia que isso só seria possível se eu estivesse na base do governo. Seria muito difícil ser secretário ou ajudar o governo estando em um partido de oposição, como o DEM.
E agora, como está se sentindo sendo da base, ao lado do PT?
R - Sempre tive vontade de estar no governo. O governador Agnelo é meu amigo. O Paulo Tadeu é meu amigo. Mas eu não gostaria de ir para uma secretaria qualquer, simplesmente por ir. Estou aqui, na Secretaria da Micro e Pequena Empresa e Economia Solidária porque a pasta tem o meu perfil. Trabalhei com o comércio minha vida inteira. Sou empresário, já fui caminhoneiro, tratorista, já tive loja de automóveis por 23 anos, fábrica de panelas. Hoje tenho um hotel fazenda, o RM Hotel, que é reconhecido com um dos melhores hotéis para turismo rural do Distrito Federal. Eu conheço todos os segmentos. Eu conheço a vida do pequeno, micro e até dos grandes empresários. Vivi dentro do setor produtivo a minha vida inteiro e, assim, entenderam que eu teria facilidade de tocar essa secretaria.
Quando o senhor assumiu a Secretaria, o que faz pouco tempo, já tinha um projeto pronto para apresentar?
R- Aceitei o cargo porque ela tem o meu perfil. Depois, no meu ponto de vista, é a secretaria que tem condições de mostrar o maior trabalho dentro deste governo, de deslanchar. Não tenho apenas um, mas diversos projetos prontos para serem lançados imediatamente. Um deles é o 'Minha empresa minha vida', nos moldes do que fez o governo federal. Não é cópia. Estou usando a mesma ideia em outro segmento. E tenho claro que, se uma coisa está dando certo, podemos sim copiar, adaptar ao que desejamos. E o 'Minha empresa minha vida' será o lema da minha gestão durante os próximos três anos à frente da secretaria. O projeto vai capacitar os pequenos, os microempresários, os empreendedores individuais, além dos funcionários.
Um projeto de capacitação?
R - Envolve a capacitação, mas não apenas do funcionário. Temos que capacitar o pequeno e microempresário para que ele aprenda a tocar seu investimento, para que ele saiba se está ganhando ou perdendo dinheiro. Quantos pequenos empresários montaram um negócio e quebraram? O índice de mortalidade de micro e pequenas empresas é muito alto. A quantidade de empresas que só têm os dois primeiros anos de vida é de quase 80%. Nossa meta é diminuir esses índices e capacitar o empreendedor para que ele saiba gerir seu negócio.
O foco da capacitação sempre foi para os empregados. Seu objetivo é capacitar o empresário?
R- Quando você capacita um funcionário, ele aprende, conquista um lugar melhor e você não conhece essa capacitação que foi feita. Por isso, agora, vamos qualificar o empresário para que ele também saiba capacitar todos os seus funcionários.
O problema dos empresários da micro e pequena empresa está na gestão?
R- Os pequenos empresários são pessoas mais humildes, não conhecem direito a burocracia e se atrapalham com elas. Imagine um desses, de um lugar de baixa renda, que vai ao banco à procura de crédito? Ele chega lá e é uma burocracia tão grande na segunda vez que tiver que voltar, ele desiste. Existe crédito para ser passado para esses pequenos e micro empresários e que não está chegando a eles por quê? Porque não tem um suporte. E assim, a secretaria vai, juntamente com o banco, levar o microempresário lá, dar assistência para que ele consiga pegar esse dinheiro.
O problema então não é só o dinheiro?
R - Não. Por isso, nós vamos criar a 'Tenda do Empresário', um projeto itinerante. Vamos começar em Sobradinho, em março. Dentro desta tenda, que vai ficar um mês na cidade, o empresário terá acesso ao banco, a cursos de qualificação. A secretaria está pronta para ser o elo. O projeto não terá um centavo do governo. Este projeto é feito com parceiros como o Sebrae, Senac, Banco do Brasil, Caixa, BRB, o Banco Crescer, o governo federal, secretarias ligadas ao empresário, ao trabalho. A ideia é ajudar este empreendedor a se tornar um micro ou pequeno empresário dentro da legalidade e preparado. Ele pode ser pizzaiolo, fazer pizzas em sua casa, e emitir uma nota fiscal. Sei que vamos ajudar o DF, ajudar o governo a alavancar novas ideias e projetos.
Pelo o que o senhor disse, até em 2014, estará na secretaria. Em qual resultado desses anos de trabalho?
R - É fazer com que esse micro e pequeno empresário se apaixone novamente pelo que faz, é ter de novo a alegria de trabalhar em sua empresa. Com isso, ele vai desenvolver, vai gerar novos postos de trabalho e renda para o DF. É um projeto audacioso, mas seremos modelo para o Brasil. Acredito que o governador Agnelo me escolheu por acreditar que sou a pessoa certa para colocar o 'trem nos trilhos'.